Arte Conceptual

A nossa arte contemporânea permitiu que novas manifestações artísticas se juntassem ao exclusivo mundo da pintura e escultura tradicional . Infelizmente também veio o desdém sobre "o saber fazer" ostracizando e vulgarizando a estética em detrimento do cunho politico e/ou filosófico da obra. Permitiu que a subjetividade fosse a rainha neste mundo anárquico e elitista. Assumidamente estou em contraciclo e de uma forma consciente tenho orgulho em não fazer parte do mainstream.   «Jorge Garcia / livro IMARGEM 35 anos»

O mundo da finança está a legitimar esta fraude generalizada : de um momento para o outro apareceu uma infinidade de obras de "arte" a preços exorbitantes - é extremamente fácil faze-las porque até poderiam ser feitas por macacos ou crianças : vejam o video abaixo deste texto - provenientes de artistas com a chancela de determinadas galerias, que são óbviamente apetitosas aos investidores que agora têm um produto altamente especulativo e apenas esperam lucrar com a sua compra e rápida venda, sem se preocuparem com o seu valor intrínseco.

A arte conceptual enferma de um paradoxo : intelectualizar o artista plástico é profundamente errado porque este tem um dom , tal como por exemplo um músico, e esta capacidade é totalmente alheia a essa intelectualidade. Só me faz me lembrar o Emir Kusturica correndo literalmente atras do Maradona para lhe fazer perguntas sobre política, sociedade, etc, como se o facto de ele ter sido um génio da bola lhe conferi-se outras capacidades. Simplesmente anedótico tal como a entrevista a Paula Rego de Paula Moura Pinheiro ("É assim Paula Rego" / RTP2 Camara Clara) em que deixou esta completamente desorientada e quase chocada com a grande simplicidade da pintora : pretendia à viva força intelectualizar a arte desta.

Há muito que desconfio de tudo aquilo que tem um embrulho muito intelectualizado , seja na música, cinema ou artes plásticas : na maioria das vezes encobre um conteúdo paupérrimo e enferma de snobismo. Vejam os discursos verdadeiramente patéticos dos artistas plásticos conceptuais na sua esforçada tentativa de explicar a sua "não obra". E estes esquecem-se ou ignoram que a conceptualização de uma obra não tem nada de original porque sempre foi feito ao longo dos tempos . Corariam de vergonha se por exemplo conhecem-se a obra de um Théodore Géricault com mais de 200 anos.

O sentido que é solicitado nas artes plasticas é a visão, quando este é completamente desprezado percebemos a tolice e o embuste. Quando um pintor ou escultor deixa de se exprimir plasticamente ou o faz de forma patética deveria se dedicar a outra actividade : um verdadeiro artista plástico não abdicaria do seu dom, um talento completamente democrático que não é atribuído por nenhuma galeria mercantilista.

 

Ivan Massow :  "uma porcaria vaidosa, autoindulgente e tosca que eu não aceitaria nem como presente"


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