⚱️ A Memória Flutuante em Cerâmica
Bote Cacilheiro é o símbolo máximo da ligação entre Almada e Lisboa, carregando histórias de trabalho, vento e rio. A obra nasce da vontade de cristalizar essa silhueta na terra cozida. Através da cerâmica, procurei recriar a força dessas embarcações tradicionais que, outrora, enchiam o rio de cor e vida. Cada curva na argila é um eco das águas que batem no cais do Ginjal, e cada textura remete para a madeira gasta pelo salitre e pelo tempo.
Estas peças (criei várias) não é apenas um objeto de decoração; é um pedaço da identidade de Cacilhas. É uma homenagem ao saber dos mestres construtores navais e à resiliência de um património que se recusa a afundar na memória. Levar o Bote Cacilheiro é levar consigo o pulsar do Tejo e a dignidade de quem vive com o olhar posto na outra margem.
cerâmica vidrada
30 cm x 20 cm
2010
📸 FOTOS
O Bote Cacilheiro era uma embarcação tradicional à vela, usada sobretudo nos séculos XVIII e XIX, antes da introdução dos barcos a vapor. O seu nome vem de Cacilhas, um dos principais pontos de ligação na margem sul do Tejo. Esta embarcação fazia a travessia regular de passageiros e cargas entre Lisboa e Cacilhas, mas também podia servir outros portos do estuário.
Texto sobre a minha experiência a velejar.