🏺 USAR UM FORNO ELÉTRICO NA CERÂMICA

🔥 SECAGEM

As peças devem ir o mais secas possíveis para o forno, sendo apenas admissível alguma humidade devido a presença desta no ambiente

As peças devem ir o mais secas possíveis para o forno

O tempo de secagem depende da espessura da peça e da época do ano. Com muito calor e pouca humidade , 1 semana é tempo suficiente para secar pequenas peças.

Uma forma fácil e fiável de ver o nível de secagem de uma peça é comparar a cor desta com uma já completamente seca(obviamente se tiverem sido feitas com a mesma argila/pasta).

Uma peça que não esteja seca explodirá (*) durante a cozedura e provávelmente afetará outras peças ao seu redor e até pode danificar as resistências. Bolhas de ar também fazem explodir a peça.

Uma peça que não esteja seca explodirá

SECAGEM | REGRAS

Para evitar a presença de humidade não fazemos peças “grandes” maciças

Em azulejos a espessura não deve ultrapassar os 2 centímetros

Podemos picar o fundo de uma peças para permitir uma melhor secagem

As peças durante a secagem não podem estar “presas” para poderem contrair sem restrições

Usar o forno (com a chaminé aberta) para secar peças que tenhamos dúvidas relativamente à qualidade da sua secagem. Mas evitar este procedimento devido à corrosão que provoca no forno.

Peças frágeis ou que possam empenar devemos secá-las o mais lentamente possível . O ideal é cobri-las com um plástico para que a sua humidade interna seja homogénea e a secagem o mais lento possível.

🔥 A COZEDURA

São as chacotas que corroem um forno

Os gases expelidos durante a queima são tóxicos

Um forno cerâmico eléctrico também é chamado de MUFLA

A cozedura é o passo final e sem retorno do material cerâmico : inversão da sílica aos 573 graus celsius , tanto no aquecimento como no arrefecimento (transformação do quartzo alfa a beta e vice-versa)

Uma peça pode ser submetida a várias queimas, mas a sucessão destas em peças frágeis aumenta consideravelmente a probabilidade do aparecimento de fissuras e quebras .

🔥 TIPOS DE FORNOS

Os fornos normalmente usados em atelier são fornos a gaz e elétricos

Os fornos normalmente usados em atelier são fornos a gaz e elétricos. Os fornos a gaz são menos dispendiosos em termos energéticos e também menos seguros...

Um forno a gaz pode chegar a temperaturas acima dos 1200/1300 graus. Os queimadores introduzem o gaz que pode ser natural, propano ou butano.

🔥 TIPOS DE ATMOSFERA

Atmosfera Redutora obtêm-se nos fornos com combustíveis lenhosos / petróleo que libertam o carbono e a consequente diminuição de oxigénio.

atmosfera Oxidante obtêm-se nos fornos elétricos.

Um forno a gaz permite realizar atmosfera redutora ou oxidante através do controlo da entrada de ar no queimador.

Na atmosfera redutora os óxidos colorantes que desprendem oxigénio vão ser afectados : óxido de ferro e de cobre. Estes óxidos metálicos vão mudar de cor

O óxido de cobre (existe em vários estados de oxidação) e produz cor verde em esmaltes plúmbicos turquesa nos alcalinos. Em atmosfera redutora proporciona cores vermelhas.

O óxido de cobre na vidragem cerâmica

Num forno elétrico não é conveniente produzir atmosfera redutora porque danificaria as resistências elétricas.

A argila cozida numa atmosfera redutora fica com aspecto diferente porque contêm ferro.

Os fornos elétricos podem ser monofásicos ou trifásicos. A alimentação monofásica permite fornos até aprox. 50 litros de capacidade e normalmente não ultrapassa os 4kw.

Existem fornos que têm carregamento superior mas o mais vulgar é o frontal.

🔥 CONSTITUIÇÃO DE FORNO | parte I

Basicamente um forno é constituído por uma câmara de combustão (A) e por um controlador (B)

Constituição de um forno

A câmara é uma estrutura em ferro/aço revestida interiormente com material refratário : tijolos e manta (fibra cerâmica)

🔥 RESISTÊNCIAS ELÉCTRICAS

Interior de um forno onde se vê as resistências , e o revestimento refratário : manta e tijolos.

Interior de um forno onde se vê as resistências e o revestimento refratário

A cana pirométrica prepara-se com 2 fios de metal diferentes, soldados num dos seus extremos, e que se conhece como termopar.

A cana pirométrica

O calor é proveniente de resistências elétricas e a leitura da temperatura é efetuada por uma cana pirométrica

Quando há uma diferença de temperatura entre a extremidade unida e as extremidades livres, verifica-se o surgimento de uma diferença de potencial que pode ser medida por um voltímetro.

As resistências são feitas de ligas de nicromo (níquel e crómio) e mais vulgarmente de Khantal, que é a marca de resistências eléctricas que permite temperaturas acima dos 1100 graus.

As resistências podem estar distribuídas apenas nas 2 paredes laterais como podem também estar na base do forno e até mesmo na porta. Obviamente quando mais distribuídas mais uniforme é o calor no forno.

As resistências tornam-se quebradiças durante as cozeduras , portanto é conveniente que não sejam tocadas e muito menos batidas por alguma peça. Por isso convêm manuseá-las muito cuidadosamente quando queremos extrair um pedaço de argila que tenha ficado preso nelas por causa de uma explosão de uma peça.

Para proceder à limpeza basta passar-lhe suavemente com um pincel ou com um aspirador, começando pelas partes superiores. Para terminar, retira-se todo o pó acumulado na base do forno.

🔥 CONSTITUIÇÃO DE FORNO | parte II

O forno normalmente tem uma chaminé para expulsar os gazes e vapores provenientes da queima.

O controlador/programador pode ser analógico ou digital e os mais avançados permitem efetuar uma cozedura deslocando-nos uma só vez ao forno.

O controlador/programador

O programador pode sempre ser mudado por um mais sofisticado.

O controlador/programador

🔥 CONTROLAR FORNO » AQUECIMENTO

Fases criticas numa chacota/biscoitagem : até aos 300°C e entre os 500°C e 600°C. Solução : Os primeiros 300°C o mais lentamente possível e como referência nunca ultrapassar os 100°C/ hora desde o inicio até aos 600°C.

A partir dos 600°C potência máxima no forno até à temperatura final (depende do tipo de fornada pretendida).

Na vidragem não existe as preocupações da chacota porque as peças já foram cozidas no entanto elas serão submetidas novamente a transformações químicas.

Na vidragem podemos utilizar um rácio muito superior (120 /180 graus hora é aceitável, não aconselho superior) aos 100°C/hora da chacota dependente da resistência do material.

Na chacota abrir a chaminé até aos 500/600° para libertação de gases e de vapores. A não expulsão destes pode originar fissuras nas peças e deteriora mais o forno.

Maior “carga” maior dificuldade em atingir a temperatura máxima num forno pouco “potente”. A presença de prateleiras (placas em material refratário) contribui grandemente para essa resistência.

🔥 CONTROLAR FORNO » ARREFECIMENTO

Deixar arrefecer até à temperatura ambiente sem abrir a chaminé e porta. Se tivermos pressa em desenfornar e as peças não são “frágeis” podemos : Abrir a chaminé aos 400/500 °C ; Abrir ligeiramente a porta aos 300/400 °C , fechando a chaminé.

ARREFECIMENTO : não abrir chaminé e a porta em simultâneo

AQUECIMENTO : não abrir a porta quando o forno está ligado e com temperaturas elevadas

NOTA : às vezes as peças racham dias depois da fornada muitas das vezes por aquecimentos ou arrefecimentos bruscos.

🔥 PATAMAR FINAL

Dentro do forno a temperatura não é homogénea. Se existirem grandes diferenças necessitamos fazer um patamar final (óbviamente apenas na vidragem) de forma a minimizar esta situação. Para contornar esta situação existem fornos com 2 canas pirométricas …

Temos que ter cuidado com o patamar final porque se o forno demora muito a atingir a temperatura final (pouca potência e/ou excessivamente carregado) , um patamar de por exemplo de 30 minutos pode ser perigosamente excessivo …

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