A FRAUDE NA ARTE CONTEMPORÂNEA
ESPECULAÇÃO E A NARRATIVA
Obras tratadas como ativos de bolsa e vendidas por milhões sem que se perceba algum mérito estético ou técnico, provocando uma desconexão total com o público, porque óbviamente a maioria não entende o valor atribuído.
Muitas destas obras só existem porque alguém escreveu um texto a justificá-las. Portanto são peças que dependem exclusivamente do discurso do curador ou artista, do que da experiência direta do espectador.
ALGUNS EXEMPLOS EMBLEMÁTICOS
Maurizio Cattelan – Comedian
Uma banana colada à parede com fita adesiva, vendida em Miami por US$ 120.000 dólares.
Damien Hirst – Spot Paintings
Quadros com pontos coloridos pintados por assistentes, não pelo artista.Vale Milhões em leilões
JonOne em Seul
Casal pintou por engano numa obra, pensando ser participativa. A obra está avaliada em 500.000 dólares
Michael Heizer – Levitated Mass
Um bloco de granito de 340 toneladas, transportado por 11 dias através da Califórnia até ao LACMA (Los Angeles County Museum of Art). O transporte e instalação custaram cerca de 10 milhões de dólares.
Salvatore Garau – Io Sono
Uma escultura invisível, literalmente nada exposto num espaço vazio de 1,5 m x 1,5 m.Foi leiloada por cerca de 18 mil dólares. O comprador recebeu apenas um certificado de autenticidade. Garau defendeu que a obra era feita de 'ar e espírito'. A lembrar o certificado que uma galeria famosa de Lisboa vendia por + de 100.000 euros : o comprador, além do certificado, recebia as instruções para fazer em casa a obra ... uma frase.
MANIFESTO
Durante décadas, uma fraude generalizada instalou-se no mundo da arte contemporânea. Não falo apenas das galerias, investidores e artistas que lucram diretamente com este sistema, mas também de todos aqueles que por cobardia, conveniência, ou simples ignorância , escolhem o silêncio ou - bem pior - a aberrante conivência.
Esse silêncio é cumplicidade. Cada crítico que escreve textos vazios para legitimar o absurdo, cada curador que fecha os olhos, cada instituição que se curva ao mercado, todos eles alimentam a engrenagem que sufoca os verdadeiros criadores.
Enquanto durar esta farsa, os artistas honestos, aqueles que trabalham com rigor, verdade e autenticidade, continuarão a ser marginalizados. A arte não pode ser reduzida a especulação financeira, a narrativas artificiais ou a objetos de espetáculo.
É tempo de romper o pacto de silêncio.
É tempo de devolver à arte a sua dignidade.
É tempo de dizer, sem medo: a fraude acabou.